serei eu?

repete-te
som quente que no fundo soa!
ressoa... suado meu corpo bate em volta deste teu ritmo líquido.
aquece.... sorri, entorpecido e canta.
volta a ressoar.... em eco no fundo do meu ser.
Água sou, como grito sonoro que sou, mas sem forma!

torno a marcar calmamente o eco do ser a que não pertenço.
Sou como aquilo que sabendo que não sou, sinto como se fosse o outro forte e sentimental.
Som flutuante e acutilante, canto o algo que nunca serei, a felicidade que nunca sonhei e que o completamento anexo cumpre.
Tu cumpres o meu Eu, sem saber quem Tu és e nunca sabendo que como eu serei completo, imerso na universalidade de: Nós.

Seres..... Ecos.... de tudo o que me ocorre na cabeça, no peito sentimental.

corro por dentro de mim perseguindo esse teu som perdido  no meu peito... reconheço-o como meu, mas onde terei a lucidez de o colmatar com a minha agudeza.

Canta. Canta a tua voz, o teu som, o teu viver. Soa e ecoa no meu peito. Sei e sentirei.. e depois calmo ficarei parado, porque toda ela passou por mim, e tu nem sequer notaste.
Vivi toda a minha vida de paixão num instante fugaz que ninguém deu conta, do qual eu serei guardador, qual guardador de rebanhos!


Passearei este meu sonho líquido pelo campo do meu ser, pelo vento solitário da minha alma. Soprará como Inverno que é, duro, ignóbil e assentimental.
Soprará seco e frio, tal e qual todos me imaginam. Não existe outro eu além do que vos atormenta no vosso pensamento.

Sonhai pelos mundos desconhecidos que vos trarão algum outro que eu não serei. Rígido, constante, provocador.
Será caminho esta inocência de mim mesmo?

Sonhai pelos campos que se despertam pela vossa madrugada.
dúvidas!!! Não acreditai em mim mesmo. Será a fuga do algo que tende a ser escorregadio.

De olhos cerrados enfumo-me neste som encantador da tua voz.
Da tua rima encanto-me para um viver que nunca saberei se existirá.
Morrerei antes disso?


Soube quando te conheci que todo o meu ser seria futuro concreto. Espero por ele. Estarei enganado?

Volto a ouvir o mesmo ritmo líquido que desfaz o meu querer. Flutuo por vós como pétalas murchas que anseiam por pousar.
Continuo a ouvir a repetição contínua do teu som..... Distante, rígido, mas indiferentemente tocante e onírico.
Toco-te neste meu sonho  de olhos cerrados, tentando definir este crepúsculo  que me é desconhecido e:
tu encantas-me!
Sou outro qualquer. Sou todo aquele que possas imaginar... Sou mesmo aquele que nunca serei. Transfiguração. Sou apenas este eu adulterado que se revela inocente e verdadeiro quando se sente deserto.

Sorri para mim, encosta-te!

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