por isso.....

Cansado estou. Os sinos ecoam pelo meu interior como se fossem parte integrante de mim. E nada é parte de mim. Quando poderei dizer: isto sou eu, isto é parte do que sou, do que sofro, do que choro.
O calor ruboriza-me a face... sinto o quente como se fosse meu e quando desperto percebo que afinal construção minha, este quente não passa de algo falso e inútil. Canto como líquido, como água que se adapta informe ao meio que a envolve e chora as lágrimas que não sabem existirem.
Ritmadamente canta o som que sente em si ecoar como se fluído fosse a fluir por todos os nossos recantos secretos e amados. Eis que estão serenos e afastados de toda emotividade. Sonham com o choro sentido, mas este foge como a razão.

Olho a lua que não aparece sobre a minha janela.... Ela não existe hoje, mas será a minha musa, a minha distância dum mundo real e confuso..... Bate som metálico ao fundo, ecoando como se o meu sonho estivesse acordado e fosse algo real  e físico.
Entrefecho os olhos.... pelo obscuro do meu olhar tendo a rever todo o sentimento que faz acordar pelo nosso dia solitário.

Solidão... Oh solidão...
que fugaz escape de racionalismo dar um nome a um sentimento fugaz... porque dar nomes aquilo que sentimos dificuldade em descrever....


ser português é conseguir dar nomes a algo difícil de partilhar. É conseguir numa palavra solidificar a nossa angústia. E assim factuar o nosso momento pelo qual temos dificuldade em avançar.

Somos dificuldade....
Somos sonho.....
Somos suspiro.... Sem isto não seremos senão europeus..


Tudo junto seremos universais, mediterrânicos, Portugal afinal!


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